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terça-feira, 20 de maio de 2014

DICAS PARA QUEM QUER TRABALHAR COMO ILUSTRADOR

Ilustradores comemoram boa fase do mercado.


Nilson Falcão é diretor de arte da editora 
Abrindo Página desde fevereiro deste ano.

Cursar Artes ou Design Gráfico?  Como desenvolver um estilo próprio? Quanto cobrar pelos freelas? Quem já se aventurou pelo mundo da ilustração certamente já teve muitas dúvidas sobre como entrar de vez nesse mercado. Afinal, a área de atuação é ampla e um ilustrador pode trabalhar em projetos editoriais para livros e publicações diversas, utilizando técnicas e estilos variados.
Lis Del Barco, de 28 anos, já é formada em Design Gráfico há alguns anos, mas só recentemente descobriu o desejo de trabalhar com ilustração. “Sempre desenhei de forma despretensiosa, como um hobby”. Para Lis, a maior dificuldade para um profissional em início de carreira é encontrar uma linguagem marcante e um estilo próprio. Para aperfeiçoar seu desenho, ela optou por um curso livre sobre o assunto, já que já tinha tido aulas de desenho e técnicas de pintura na faculdade. “Gosto de desenhar com lápis de cor, giz, tinta guache, aquarela…tudo no papel”, conta.
Já o ilustrador André Tachibana, de 30 anos, conta que começou a ilustrar ainda na adolescência, quando criava roteiros que envolviam os amigos em histórias de ficção e fantasia. “Eu me surpreendi com a repercussão que essa brincadeira gerou e percebi que poderia vender cópias das revistinhas e ganhar algum dinheiro”. Embora seja autodidata, André cursou então Desenho na Escola de Belas Artes, Artes na Faculdade de Artes do Paraná e agora faz Design Gráfico no Unicuritiba. Assim como Lis, ele concorda que a questão do estilo é a que mais pesa para quem está em início de carreira. “Conseguir uma marca pessoal nos traços é determinante para que o trabalho seja reconhecido como único. No entanto, são raras as vezes que podemos ser autorais em uma agência ou escritório de design, pois o mercado exige versatilidade”, explica.
André  hoje trabalha como ilustrador no grupo NZN, empresa que administra os sites como o Baixaki e Tecmundo. Na hora de cobrar pelos trabalhos como freelancer, que acontecem com frequência, ele considera a complexidade do trabalho e o tempo que investirá nele. “A negociação com o cliente determina quantas horas me dedicarei ao projeto”, ensina.
Como chegar lá?
Lucilia Alencastro já atua há 15 anos como ilustradora, trabalhando principalmente com livros infantis e lecionando em cursos universitários. Ela explica que, além das faculdades de artes visuais e de design, existem vários cursos livres para quem quer seguir carreira na ilustração. “Já existem também algumas tentativas em formatar cursos de graduação tecnológica em ilustração, mas as dificuldades ainda são grandes”. O empecilho na criação desses cursos, segundo Lucilia, é um reflexo da não regulamentação do design como profissão. “A ilustração como campo específico de estudo ainda terá muito trabalho na definição de currículos e regulamentação própria”, afirma.
Pedimos a ela algumas dicas para quem está em início de carreira:
- Ser curioso em relação às mais diversas áreas e gostar de estudar e de ler;
- É importante ter interesse por artes visuais, mas não é imprescindível “saber desenhar”, embora isso ajude muito;
- Desenvolver, além da aprendizagem de técnicas, o estudo de comunicação e linguagens que traduzam, resumam ou mesmo adicionem significados aos textos que serão acompanhados das ilustrações;
- Ter um portfólio de trabalhos  e um cartão de visitas;
- Definir quais as áreas em que deseja atuar e buscar o perfil das empresas que têm afinidades com seu trabalho;
- Nunca aceitar convites para trabalhar de graça ou por preços irrisórios, o que desqualifica o profissional e a profissão;
- Alguns livros como “Viver de Design”, do Gilberto Strunck e “Manual do Freela: Quanto custa o meu design” de André Beltrão, dão orientações interessantes para designers e que podem ser utilizadas também por ilustradores;
A ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais) disponibiliza o “Guia do ilustrador”, do Ricardo Antunes, que dá orientações sobre a profissão.
Recentemente a ADEGRAF (Associação de Designers Gráficos do Distrito Federal) incluiu em sua tabela sugestões de valores para trabalhos de ilustração.  Mesmo que nem sempre seja possível praticar os preços sugeridos, já é uma referência a ser apresentada numa negociação com o cliente.


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