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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Batman: Ano um - Resenha

por Nilson Falcão

A capa do DVD e a revista (formatinho) de 1987.

É praticamente impossível assistir à animação Batman: Ano Um sem ter como referência a HQ do Frank Miller com desenhos do David Mazzucchelli, publicada em 1987 no Brasil pela Editora Abril, ainda em formatinho; até porque, a adaptação para esta animação foi fiel à HQ em vários e importantes aspectos. Um detalhe que de cara chama a atenção para quem leu o quadrinho é que a vida pessoal e afetiva do comissário Gordon ganha mais destaque na animação, com o aparecimento da sua esposa grávida e até um triângulo amoroso com uma policial. Isso dá maior intensidade ao conflito interior do comissário e até um certo suspense na sua chegada a um departamento de polícia completamente tomado pela corrupção, o que pra ele, movido por conceitos morais dignificantes, parece ser o próprio inferno. A maior ênfase na vida do comissário Gordon divide um pouco do foco do conhecido drama vivido por Bruce Waine, o que pra mim não enfraquece essa visão da gênese do herói e, pelo contrário, só traz mais profundidade ao complexo meio no qual o herói estava inserido: uma Gotham City decadente e entregue ao crime.

A animação tem bons momentos técnicos, como a luta do Bruce Waine com a Selina Kyle, ainda uma contraventora (na HQ fica mais evidente que ela é uma prostituta; já na animação, não), mas muitos desenhos e sequências deixam a desejar. Também acho que a estética da criação dos personagens poderia ser mais apurada, assim como o desenho da anatomia dos mesmos. Sinceramente (podem me xingar), não sou um apreciador da arte do Mazzuchelli e pra mim é um ponto fraco na HQ. Os animadores procuraram visivelmente manter algumas referências do desenhista, o que funciona na criação das atmosferas, mas deixa a desejar na qualidade dos desenhos. Na animação, ver o Batman com olhinho brilhando no escuro fica muito fora da concepção soturna que eu particularmente tenho do personagem. Parece um gato no escuro... Alguns desenhos da anatomia do Bruce também deixam muito a desejar, com musculatura mal-definida e uma movimentação muito limitada pro nível da produção.

Apesar destes ponto fracos, vale muito conferir Batman Ano Um pelo fato de esta versão do Frank Miller ter dado ao personagem uma perspectiva com um manancial mais rico de possibilidades para o desenvolvimento do  universo do herói.

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