CONTATE-NOS PELO WHATSAPP: 99512-9504

domingo, 14 de março de 2010

A arquitetura de Oscar Niemeyer: genial e humano

Nomes como Norman Foster e Jaime Lerner fazem uma análise do trabalho do mestre
Em 1958, no recém-inaugurado Palácio da Alvorada, Niemeyer diante das colunas que são o evento arquitetônico mais importante desde as colunas gregas, segundo o escritor francês André Malraux (1901-1976).


Niemeyer procurou sempre um equilíbrio entre o racional (em termos de tecnologia), o funcional e o estético. “Alguns dizem que ele não é funcionalista, mas essa crítica é infundada. É preciso observar a funcionalidade de acordo com a época em que a obra foi criada”, contesta o professor da UnB Cláudio Queiroz, que trabalhou dez anos para Niemeyer na Argélia (de 1973 a 1984) e diz que seus prédios podem ser adaptados. É verdade que há meio século palavras como sustentabilidade ou acessibilidade nem constavam do vocabulário. “O mundo mudou, isso não era uma preocupação. Nem a escada de incêndio era obrigatória”, ressalta Andrey, que esteve em agosto em Niterói, para assistir Niemeyer dar explicações por duas horas em um canteiro de obras. “A fórmula da longevidade dele é a paixão pela arquitetura, pelo trabalho. A determinação de vencer desafios e a vontade de inovar com o mesmo compromisso estético mantêm jovem esse homem com mais de 100 anos”, constata o arquiteto Jair Valera, sócio do escritório que desenvolve os principais projetos de Niemeyer.


Rodeado por um espelho-d’água, onde repousa a escultura O Meteoro, do paulista Bruno Giorgi (1905-1993), o prédio do Palácio do Itamaraty é uma caixa de vidro envolta numa sequência de colunas e arcos de concreto.

Deve ser mesmo uma aventura observar de perto e acompanhar uma trajetória tão significativa. Que o diga José Carlos Sussekind, seu engenheiro calculista desde 1970: “Os projetos de Oscar exprimem o limite do que o concreto armado pode fazer. Sua audácia obrigou a engenharia brasileira a avançar. Reduzimos tudo: apoio, fundações. A arquitetura ficou mais simples e daí surge a obra audaciosa”. Além de manter o desenho ágil que faz da linha um movimento, Niemeyer permaneceu fiel aos ideais modernistas e socialistas ao longo de todas essas décadas. Talvez por essa coerência de princípios o homem e sua obra mereçam tanta admiração. “Existe uma combinação muito difícil: ser popular e grande artista. Isso é dado só aos muito grandes”, avalia o arquiteto Ciro Pirondi, professor da Escola da Cidade e conselheiro do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (Ibac). “Vale a pena refletir sobre qual país teríamos se ele fosse desenhado não só com a arquitetura, mas principalmente com os pensamentos e as ações de Oscar. Seria, no mínimo, um Brasil mais belo e justo.”

É impossível ficar indiferente diante da escadaria curva de concreto na entrada do Palácio do Itamaraty, uma das mais belas do século 20, na opinião do diplomata André Corrêa do Lago.

Leia mais em:


http://casa.abril.com.br/brasilia/arte-design-arquitetura/brasilia-oscar-niemeyer.shtml

Nenhum comentário: